A palavra bacanal faz alusão ao Deus do vinho, Baco.
Os bacanais foram introduzidos em Roma e vindas do sul da península itálica através da Etrúria. Eram secretos e frequentados somente por mulheres durante três dias no ano. Posteriormente, os homens foram admitidos nos rituais e as comemorações aconteciam cinco vezes por mês.
A má reputação dos bacanais, nas quais ocorriam as mais grotescas vulgaridades e onde todo o tipo de crimes e conspirações políticas eram supostamente planeados, levou à publicação de um decreto por parte do senado, em 186 a.C., proibindo os bacanais em toda a Itália.
Embora fossem aplicadas severas punições àqueles que infringissem a lei, os bacanais demoraram ainda um longo período até serem totalmente erradicadas no sul da península itálica.
Havia dois tipos de bacanais: as festas religiosas celebradas em época certa, em homenagem a Baco, que o mesmo deus celebrava perpetuamente, e as festas ou orgias do culto dionisíaco, famosas na história de Roma, em virtude da proibição com que as suspendeu o Senado, no ano 186, a.C..
Um minucioso relato do historiador Tito Lívio e o texto do "Senatus Consultus de Bacchanalibus", conservado numa prancha de bronze, permitem conhecer com exactidão a história dos bacanais romanos e os motivos que determinam a rigorosa medida do Estado contra eles.
Um grego, de baixa condição, espécie de sacerdote e adivinho ambulante, foi quem introduziu na Etrúria as práticas religiosas do culto a Baco, que até então só era conhecido na Magna Grécia.
O culto celebrava-se durante a noite, admitindo-se homens e mulheres indistintamente, e essa promiscuidade, unida ao furor báquico, foi que deu origem a todos os excessos de libertinagem. Denúncias caluniosas, testamentos falsos, envenenamento, desaparecimento de homens e mulheres eram sempre o saldo das festas orgíacas.
Foi da Etrúria que os mistérios dionisíacos chegaram a Roma, levados pela sacerdotisa Paculla Annia.
No princípio, eram festas nocturnas, assistidas apenas por mulheres. Paculla instaurou a promiscuidade, fazendo a festa cinco vezes por mês, na qual homens e mulheres se entregavam a todos os excessos do vinho e do amor, possuídos do furor sagrado de Baco. A orgia era em ambiente privativo dos iniciados, e seus participantes tinham o dever de guardar segredo sobre as práticas a que se entregavam.
O segredo dos mistérios báquicos durou muito tempo, até ser revelado pela amante do cavaleiro Esbutius, a liberta Hispalia Fescênia, de cujo nome vem a palavra fescenino. Antiga participante do bacanal, Fescênia revelou ao amante, desejoso de se iniciar também, os mistérios orgíacos. Horrorizado, Esbutius, denunciou tudo ao cônsul Postumius, a quem Fescênia, embora temendo a cólera dos deuses e dos irmãos de seita, contou tudo o que sabia.
O lugar da reunião era o bosque sagrado de Simila, perto de Roma.
Tito Lívio faz o relatório desse depoimento. Os homens, possuídos de delírio, profetizavam, entre fanáticas contorções. As mulheres, vestidas de bacantes, com os cabelos soltos, lançavam tochas ardentes no Tibre. O mais alto grau da perfeição báquica era não considerar nada vedado pela moral. Os tímidos e os envergonhados, que se negavam a acompanhar os demais, eram sacrificados. O número de iniciados era tão considerável, que constituía um segundo povo, figurando entre eles mulheres e homens da mais alta sociedade.
Em certa época, os iniciados passaram a exigir a idade mínima de vinte anos para os novos sócios. O inquérito feito por Postumius e levado ao Senado romano indicou que passava de sete mil o número de iniciados, sendo a maioria de mulheres.
Tomaram-se medidas de grande rigor, diante das investigações que comprovaram a denúncia de Fescênia. Os bacanais foram proibidos, sob as mais severas penalidades, como atentatórias à segurança do Estado.
Figuravam entre as penas cominadas, a pena capital, sendo interditadas as festas não apenas em Roma, mas também em toda a Itália. Todas as províncias foram proibidas de celebrar bacanais. Mas a decisão não era drástica:
quem quisesse promover um bacanal, tinha que ir a Roma, fazer uma declaração prévia ao pretor da cidade e aguardar a permissão do Senado, que devia ser dada em sessão com a presença de pelo menos 100 senadores. Além disso, não se permitia mais nenhuma bacanal com mais de cinco pessoas; dois homens e três mulheres. Mas apesar de todas essas providências oficiais de repressão, os devotos continuavam a celebrar os ritos de Baco em bacanais mais ou menos clandestinos.
E era tão grande o número de adeptos dessas orgias religiosas, que, no ano de 184 (a.C.), em Tarento, e em 181, na Apúlia, o povo promoveu uma rebelião para restaurar o direito de celebrar os bacanais.
Há uma sátira de Varro, segundo a qual os bacanais se faziam em Roma sob disfarçada clandestinidade, enquanto no resto do Império havia uma razoável tolerância. De qualquer forma, nunca deixou de existir a festa pública celebrada todos os anos a 16 de março, chamada Liberalia. Liber era também o nome latino de Baco.
Por fim, é interessante notar que o nome de bacantes, depois estendidos também aos homens, era inicialmente reservado às mulheres que se entregavam ao culto orgiástico do deus. Além disso, vale a pena lembrar que as bacantes eram senhoras da melhor origem patrícia, escolhidas entre elas as de mais ilibada reputação, pois
as práticas da orgia religiosas constituíam não uma imoralidade, mas um ato de comunhão com a divindade.
TITO LÍVIO (59-17 a.C.), foi um dos mais importantes historiadores romanos. Nasceu em Pádua. Escreveu um livro sobre de "Diálogos sobre a Filosofia", que serviu para recomendá-lo à confiança do Imperador Augusto. Mas a sua grande obra é a: "História de Roma", escrita, segundo ele, "para esquecer os sofrimentos de seu tempo, lembrar os grandes feitos do passado e apontar exemplos excelentes para o futuro". Trata-se de um monumento da literatura nacional de Roma.”
O texto que se segue é adaptação de uma passagem de Tito Lívio, tirada do original latino do autor por Gerardo Mello Mourão:
"Aos primeiros raios de sol da primavera, acompanhado de um séquito de sátiros e ninfas, sendo saudado pelos fiéis com música, danças, algazarras, vinhos, sexo e também violência, que por vezes terminava em tragédia.”
Descrição de uma bacanal feita por Spaldin “as mulheres que participavam dessas festas corriam pelas ruas e pelos campos, à noite, seminuas, cobertas com peles de tigre ou pantera, fixadas na cintura com festões de hera e pâmpanos. Empunhavam o Tirso, algumas com os cabelos soltos carregavam fachos. Aos gritos de Evoi! Evoi! (origem do grito carnavalesco Evoé!), em honra de Evan, epítetos de Baco, soavam as flautas e tambores juntamente com os címbalos e as castanholas presas às vestes. Dava-se às mulheres que participavam das Bacanais o nome de Menales, voz grega, que significa Furiosas.
As bacantes, no seu delírio, cometiam todo o tipo de excesso selvagem, luxurioso e desregrado.”
Pena nunca ter dado isto em História do Direito! :)